SOLAR BOA VISTA
Por Cândido A. Vaccarezza
Registro, hoje, com muita satisfação, a notícia publicada no jornal A Tarde, anunciada, preliminarmente, na primeira página, com impressão destacada, que REQUALIFICAÇÃO DEVOLVERÁ SOLAR BOA VISTA À CAPITAL.
Justifico o meu sentimento pois, no Jornal ACADEMUS - (Veiculo de divulgação das atividades da Academia Maçônica de Letras e Artes da Bahia – AMALBA), datada de 08 de maio de 2022, fiz publicar, com as ilustrações acima, a seguinte matéria:
“As fotos acima registram o estado do imponente imóvel, denominado
Solar Boa Vista, situado no Engenho Velho de Brotas, Salvador/Bahia. A
primeira, quando restaurado, exibindo toda sua beleza arquitetônica em tempos
idos, a outra, na situação atual, demonstrando vergonhosa degradação, apesar de
estar sob a responsabilidade do poder público. O prédio histórico está situado
no Parque Solar Boa Vista, que compreende o Cine Solar Boa Vista, sob a gestão
da Secretaria de Cultura (Secult) e atualmente fechado, em observação às
orientações de combate à pandemia da Covid-19; Casa de Castro Alves, hoje
desocupada, e a Central Estadual de Infusões e Medicamentos Especializados da
Bahia, ambos vinculados à Secretaria de Saúde (Sesab); e o Centro de Saúde
Aristides Novis, imóvel também vinculado à Sesab.
O casarão, construído no século 18, já foi residência do poeta baiano
Castro Alves, asilo, hospital psiquiátrico e sedes da prefeitura e da
Secretaria Municipal da Educação. Em janeiro de 2013, o imóvel foi atingido por
um incêndio de grandes proporções, que destruiu 30% da estrutura do prédio.
Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN)
desde 1938, o Solar Boa Vista está sem teto, assoalho e escadas. Urge a
elaboração e rápida execução de um projeto de revitalização do imóvel, até em
homenagem ao ilustre e sempre festejado poeta Castro Alves, que ali residiu.
É oportuno lembrar que Antônio Frederico de Castro Alves nasceu na
Fazenda Cabaceiras, Freguesia de Curralinho, Vila de Nossa Senhora do Rosário
do Porto da Cachoeira, em 14 de março de 1847 — vindo a falecer em Salvador, no
dia 6 de julho de 1871. Escreveu clássicos como Espumas Flutuantes e Hinos do
Equador, que o alçaram à posição de maior en tre seus contemporâneos, bem como
versos de poemas como Os Escravos, A Cachoeira de Paulo Afonso e Gonzaga, que
lhe valeram epítetos como "poeta dos escravos" e "poeta
republicano" por Machado de Assis, ou descrições de ser "poeta
nacional, se não mais, nacionalista, poeta social, humano e humanitário",
no dizer de Joaquim Nabuco, de ser "o maior poeta brasileiro, lírico e
épico", no dizer de Afrânio Peixoto, ou ainda de ser o "apóstolo
andante do condoreirismo" e "um talento vulcânico, o mais arrebatado
de todos os poetas brasileiros", no dizer de José Marques da Cruz.
Integrou o movimento romântico, fazendo parte no país daquilo que os estudiosos
chamam de "terceira geração romântica".
É genuíno o meu contentamento pelo fato de que está anunciado que “Após
a requalificação, a área será transformada no Parque de Economia Criativa da
Bahia, incubadora de formação e projetos, que deve gerar emprego em setores
culturais.” Conclamo, enfim, todos os Confrades da Academia Maçônica de Letras
e Artes da Bahia – AMALBA, assim como dos demais numerosos Sodalícios, para, na
medida das suas importantes influências, acompanharem esse projeto,
rumorosamente noticiado, a fim de que, nos desvãos do tempo, não deixe de ser
implementado na inteireza da promessa anunciada.
(**) Cândido Augusto Vaccarezza
é Presidente da Academia Maçônica de Letras e Artes da Bahia – AMALBA


