Livro ironiza elementos da psicanálise e das narrativas de superação.
O que a obra de Renato Russo (1960-1966), cantor e compositor romântico que morreu precocemente, teria a ver com a de J. M. Coetzee, cerebral e octogenário vencedor do Nobel de Literatura? Partindo dessa pergunta inusitada, Michel Laub escreve um misto de ensaio cultural e memória, tendo como fio condutor sua relação com as drogas, em especial a cocaína. Os impasses daí surgidos moldam Verão na névoa (Companhia das Letras, 96 pp, R$ 69,90), breve e corajoso, que ironiza elementos da psicanálise e das narrativas de superação. Numa época de incertezas trazidas pela tecnologia e pela política, Verão na névoa é uma resposta possível ao cinismo e à melancolia.
