A Câmara Municipal e a Arquidiocese de São Salvador da Bahia realizaram, neste domingo (10), a tradicional celebração em honra a São Francisco Xavier, padroeiro da capital baiana e do Legislativo da capital. A solenidade marcou os 340 anos da oficialização do santo como protetor da cidade e reuniu autoridades civis, religiosas e fiéis na Catedral Basílica, no Centro Histórico.
A programação contou com missa solene presidida pelo cardeal Dom Sérgio da Rocha, às 10h, seguida de procissão pelo Terreiro de Jesus, reforçando uma tradição secular mantida pela Câmara desde o século XVII.
A relação histórica entre Salvador e São Francisco Xavier teve origem em 1686, quando a cidade enfrentou uma grave epidemia de febre amarela, conhecida à época como “mal do bicho”. Diante da crise sanitária, os vereadores do então Senado da Câmara fizeram um voto solene: caso a peste cessasse, o santo missionário seria proclamado protetor oficial da cidade.
Com o fim da epidemia, a promessa foi cumprida. Em 10 de maio de 1686, uma bula do Papa Inocêncio XI confirmou oficialmente o padroado de São Francisco Xavier sobre Salvador. Desde então, a Câmara Municipal assumiu a responsabilidade histórica de promover anualmente as celebrações em homenagem ao santo, unindo tradição religiosa e memória institucional.
Significado histórico e espiritual
Durante a celebração, Dom Sérgio da Rocha destacou o significado histórico e espiritual da devoção ao padroeiro. “Em Salvador, tradicionalmente, o Senhor do Bonfim é considerado o padroeiro, mas São Francisco Xavier merece reconhecimento, pois interveio para livrar a cidade de uma epidemia de febre amarela. Até hoje conservamos essa gratidão. Na época, foi decretado padroeiro da cidade, com confirmação papal, um voto renovado anualmente”, afirmou.
O cardeal também ressaltou a forte tradição religiosa da capital baiana e a convivência entre diferentes manifestações de fé popular. “Em Salvador, Nossa Senhora do Bonfim e Nossa Senhora da Conceição também são figuras de grande devoção. Sabemos que a cidade é marcada pela presença de santos importantes, como Santa Dulce dos Pobres. No coração do povo, há lugar para todos”, declarou.
Representando o presidente da Câmara Municipal, vereador Carlos Muniz (PSDB), a vereadora Marta Rodrigues (PT) disse que “esse é um momento histórico e de grande tradição para Salvador e para a Câmara Municipal. Renovamos nossos votos a São Francisco Xavier para que possamos continuar servindo à população e à cidade que tanto amamos”, afirmou.
O secretário municipal de Inovação e Tecnologia e vereador licenciado, Alberto Braga (União), destacou o simbolismo da celebração para o Legislativo. Ele também ressaltou a coincidência da celebração com o Dia das Mães e as homenagens aos agentes de turismo. “Este é um instante especial, dedicado também às mães e aos guias turísticos, profissionais que desempenham um trabalho importante para nossa cidade”, acrescentou.
O vereador Kel Torres (Republicanos) também participou da celebração e destacou a relevância da data. “Esta tradição secular dedicada a São Francisco Xavier. É uma grande bênção e uma honra participar deste momento especial, celebrado também em consonância com o Dia das Mães”, disse.
Presença histórica no Paço Municipal
Além das celebrações religiosas, São Francisco Xavier mantém presença permanente no cotidiano da Câmara Municipal de Salvador. No térreo do Paço Municipal existe um nicho dedicado ao santo, tradicionalmente visitado por servidores, vereadores e cidadãos que circulam pelo Centro Histórico.
Nas representações mantidas pela Casa Legislativa, o padroeiro costuma ser retratado com o cajado missionário, símbolo da evangelização e da caminhada, além do livro, elemento que remete à sabedoria e à instrução — valores associados à atividade parlamentar e ao serviço público.
Fonte da notícia: Diretoria de comunicação
