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LITERATURA: A obra mais pessoal de Domenico Starnone


'Via Gemito' é uma exploração da família, da memória e da natureza elusiva da verdade.

A obra mais pessoal de Domenico Starnone, autor de Laços, é um mergulho na família e nos sonhos frustrados. Via Gemito (Todavia, 464 pp, R$ 139,90 — Trad.: Maurício Santana Dias) é uma exploração da família, da memória e da natureza elusiva da verdade. Ambientado na Nápoles do pós-guerra, o romance conta a história de Federí, um funcionário das vias férreas com o sonho de se tornar um grande artista, e sua relação complexa com o filho, que narra os acontecimentos anos depois. O que torna o livro especialmente cativante é sua narrativa em camadas ― mesclando autobiografia e ficção —, onde a memória é tanto ferramenta quanto campo de batalha. Starnone capta com precisão a energia caótica de um lar da classe trabalhadora napolitana, expondo as tensões entre ambição, fracasso e controle. Federí é ao mesmo tempo monstruoso e trágico, um homem consumido pelo ressentimento diante da mediocridade da própria vida e do potencial que acredita lhe ter sido roubado. Pelas reflexões do narrador adulto, o romance revela os impactos de uma figura paterna como essa ― na identidade, na criatividade e na autoestima.

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