Jornalista mostra em 'O século nômade' o caráter essencial da migração e a contribuição dos deslocamentos para a complexidade humana ao longo dos séculos.
"Mudanças climáticas significam a mudança de tudo, porque o clima é a base sobre a qual construímos nossas vidas”. A partir dessa constatação, Gaia Vince estrutura, com linhas firmes, prognósticos sobre as atividades humanas em um futuro próximo, da agricultura à economia, da urbanização à alimentação. Tendo como ponto de partida o tema da migração, pois “nenhum lugar da Terra estará livre das mudanças climáticas”, a autora propõe repensar ideias pré-fabricadas que agora derretem sob o calor da emergência planetária.
A jornalista mostra em O século nômade (Quina, 320 pp, R$ 74,90) o caráter essencial da migração e a contribuição dos deslocamentos para a complexidade humana ao longo dos séculos. Vince aponta a artificialidade de certas concepções modernas que dissociaram o mapa político da geografia, como as ideias de Estado-nação e de fronteiras nacionais, inadequadas aos propósitos humanitários colocados por uma crise sem precedentes e pela provável necessidade de novos deslocamentos.
